Sábado
10h00 | Abertura
12h00 | Oficina do Gosto - Escola Profissional do Fundão
16h00 | Teatro Dom Roberto (teatro popular português)
17h00 | Oficina do Gosto - Bombons de Queijo
(Chefe Francisco Siopa)
18h00 | Oficina do Gosto - (Chef Valdir Lubave)
18h30 | Teatro Dom Roberto (teatro popular português)
21h00 | Concerto Grupo Coral da Soalheira
22h30 | Concerto Ventos da Líria
06 Maio
Domingo08h30 | Rota da Pastorícia (Associação Descobrindo)ponto de encontro: Largo St. António | inscrições: www.descobrindo.pt | facebook / descobrindo
11h30 | Passagem do Rebanho
14h00 | Tosquia
12h00 | Oficina do Gosto - Escola de Hotelaria do Fundão
14h30 | Grupo de Cavaquinhos «Selectos em Dó Maior»
15h00 | Rancho Folclórico da Soalheira
15h30 | Demonstração da feitura do queijo
16h00 | Mostra de cães da Serra da Estrela (Alpetratínia)
17h00 | Oficina do Gosto - Degustação da “Travia da Beira Baixa” (Associação de Queijeiros da Soalheira)
18h30 | Concerto “Os Rosmaninhos”
Dirigido a pais de pessoas com necessidades educativas especiais de todas as idades, na perspectiva de criar no futuro grupos locais de entreajuda, com o acompanhamento de técnicos da área, realiza-se sexta-feira, 20, no Fundão, na Escola Serra da Gardunha, entre as 17h30 e as 19h, uma Oficina de Pais.O objectivo é apresentar o projecto e reunir o máximo de pessoas de todo o distrito, para pôr os familiares de pessoas com deficiência em contacto uns com os outros, facilitar a interacção e discutir problemas em comum.
No futuro os pais de pessoas com necessidades especiais podem ter nos eventuais grupos a criar um amparo, assim se consiga avançar com o projecto.
A chuva que cair por este dias será uma bênção para os nossos pomares, de forma a garantir um bom calibre das cerejas. Os técnicos asseguram que o sabor e a qualidade do fruto estão garantidos na campanha deste ano e que até pode ficar mais doce, mas a seca que se verificou nos últimos meses prejudica o tamanho. Agora que a flor caiu e a cereja ainda não ganhou cor, a chuva é fundamental, já que os técnicos notam que 80 a 90% da fruta é constituída por água. Quanto maior o calibre, mais elevado é o preço pago pelo kg.Ver notícia aqui.
Os vídeos de Giacometti, tal como os depoimentos recolhidos, foram feitos todos no mesmo sítio, na oficina do cesteiro César, à entrada do Casal da Ponte, onde morava com a esposa, precisamente a ti Pulquéria.
A iniciativa, uma forma de reunir os fundanenses a residir na capital e arredores, iniciou-se em 1995 e teve como oradores nomes ligados ao concelho, como foram os casos de Laborinho Lúcio, então ministro da Justiça e entre 68 e 72 procurador da república no Fundão, António Paulouro, fundador do Jornal do Fundão, Abel Delgado, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, ou Vítor Martins, antigo presdente da Caixa Geral de Depósitos, da Assembleia Municipal do Fundão e filho de uma pessoa de Alcongosta, onde ainda tem muita família.
A tenacidade de Giacometti levou à preservação, para memória futura, de muitos usos e costumes do Portugal profundo dos anos 60.
Neste vídeo, um trecho da série distribuída pelo "Público", não é possível ver o cantar dos martírios na sua essência, nos locais próprios, com a postura e ambientes em que isso acontecia, mas ficou registado esse cântico religioso, por vozes locais por muito ainda possíveis de identificar.
Em plena Quaresma, aqui fica uma marca desta época na nossa localidade, a encomendação das almas, na voz de seis mulheres da terra, num local tão tipicamente alcongostense há algumas décadas disseminado pela aldeia: uma oficina de cesteiro, com um tapete feito de aparas.
Quem consegue identificar as senhoras?
A Sociedade Trebaruna promove no próximo sábado, 7 de Abril, a Caminhada Rota dos Moinhos, do Souto da Casa a Vale d`Urso. O percurso é de apenas 8 quilómetros e fácil. No final há almoço e transporte de regresso ao Souto da Casa. A inscrições podem ser feitas pelo número 275598315 ou pelo endereço sociedadetrebaruna@gmail.com.
A Travessia da Gardunha, integrada no Encontro Nacional de Montanhismo, promovido pela Associação Gardunha Viva, realiza-se no próximo domingo, 25. A concentração é às 9h, em frente à Câmara do Fundão, para iniciar um percurso que passará por Alcongosta, Castelo Novo e Alpedrinha. A inscrição é oito euros, com camisola, almoço e transporte de regresso incluídos, e pode ser feita pelos números 961 720 904, 961 720 905 ou 967 994 352. Bom passeio!
Na lista de prisioneiros de guerra em Goa, que faz hoje 50 anos estiveram em frente a um pelotão de fuzilamento, consta um alcongostense. Adrião Dias Lopes, por nós também conhecido por Côdeas.A família julgou-o morto e vestiu-se de luto. Afinal, passou meses num campo de prisioneiros em Pondá, Índia, com mais 1750 militares portugueses. Muito depois de partir para oriente, e quando já não era esperado, eis que regressa a Alcongosta, para grande surpresa de todos os que lamentavam mais uma vítima mortal da guerra colonial, iniciada meses antes. Mas não. Voltou, depois de ter vivido episódios dramáticos.
Foi a 19 de Março de 1962, já o grupo tinha sido feito prisioneiro há três meses, que a intervenção corajosa e providencial do capelão evitou o massacre. Ficam as ligações para artigos já com alguns anos, do Expresso, JN e Lusa, que evocam o episódio.
Guerra juntou soldados que tiveram a vida por um fio quando tentaram fugir de PondáÉ o dia 19 de Março de 1962, pelas 18.30 horas. Campo de prisioneiros de Pondá, Goa, Índia. Três prisioneiros tentaram a fuga. Denunciada por um furriel português, a ousada manobra falhou e o acto de indisciplina iria ser pago com o fuzilamento dos 1750 militares portugueses, prisioneiros, em Pondá, desde 17 de Dezembro de 1961. A coragem e a diplomacia do tenente-capelão Ferreira da Silva haveria de evitar o banho de sangue. Quarenta e seis anos depois, Fausto Diabinho ainda não consegue conter as lágrimas ao recordar o fatídico 19 de Março. Viu a morte à frente. Lembra os companheiros a desmaiar, as metralhadoras apontadas, o pelotão de fuzilamento e a voz que gritava "Quem se mexer será abatido". Lembra, sobretudo, o tenente-capelão que, num acto heróico, sai da formatura, arriscando a vida, e consegue negociar com o brigadeiro indiano o perdão dos portugueses, evitando o massacre.
Ler o resto aqui.
"Os acontecimentos reportam-se a 1962 e ao campo de concentração de Pondá, onde estiveram presos durante largos meses cerca de 1750 militares e civis, na sequência da invasão de Goa, Damão e Diu pela União Indiana."
Ler aqui restante artigo do Expresso.
"No dia 19 de Março passou o 44.° aniversário de um inesquecível episódio que ocorreu no Campo de Prisioneiros de Pondá, em Goa, onde se encontravam 1750 militares portugueses, depois da União Indiana ter invadido aquele território, na noite de 17 de Dezembro de 1961."
Texto na íntegra aqui."Antigos combatentes partilham memórias e lamentam que população fique alheia ao 50.ºaniversário."
Nós, portugueses, tantas vezes militantes desse exercício de nos indignarmos à mesa do café; de protestar, no círculo de amigos, contra esses eleitos indignos que não sentimos que nos representam; de contestar, entre garfadas num bife, ao jantar, políticas e decisões; de vilipendiar quem achamos que desbarata os dinheiros públicos; de praguejar, perante o vizinho, por acharmos que a sociedade em que vivemos não está no rumo certo, somos simultaneamente cidadãos civicamente passivos e useiros e vezeiros na tão típica expressão "o que é que se há-de fazer?", proferida não como interrogação, mas como uma fatalidade.Na hora de apresentar sugestões, de pôr à discussão perspectivas alternativas de desenvolvimento, remetemo-nos à nossa concha, deixando aos outros a tarefa de decidirem por nós, não ousando pensar por nós próprios e apresentar à comunidade eventuais caminhos. A opinião de cada um de nós é tão válida como a de um qualquer deputado municipal, qualquer outro eleito ou a chefia de qualquer organismo público. No entanto, nem sempre temos essa percepção. Ou simplesmente é mais cómodo o papel de menorização a que nos submetemos.
Mas vão sempre surgindo pedradas no charco a tentar agitar as águas. Um desses momentos está agendado para 31 de Março, às 21h30, na Praça do Município.
Refiro-me à iniciativa OUVIR e FALAR - CICLO DE TERTÚLIAS PELA DEMOCRACIA E CIDADANIA, organizada por um grupo de fundanenses aparentemente descomprometidos com facções partidária, religiosas ou outras.
A premissa é partir das conversas de café para uma grande conversa na rua sobre tudo o que nos inquieta ou preocupa. A organização nota que não há respostas erradas. Todas as opiniões são válidas. "Não temos partido, mas tomamos partido" parece-me um bom lema e a tertúlia um aliciante espaço público de troca de ideias. Em nome do Pedaços de Alcongosta endereço os parabéns a quem a promove.
(Clicar na imagem para ampliar)
De Alcongosta para o mundo. A reciclagem de materiais de forma criativa é o traço distintivo dos trabalhos da Telma Veríssimo e o resultado final mereceu hoje a atenção do Diário de Notícias, que no âmbito da rúbrica Made in Portugal publica uma página com as criações da nossa conterrânea.
A empresa que comercializa as peças de design tem o nome Studio Veríssimo e alguns dos objectos decorativos estão espalhados por várias zonas do globo.
O anúncio foi feito à RCB e pedido de cessação de funções é entregue amanhã.
Ver notícia RCB.
O presidente da câmara do Fundão deixa as funções de autarca a partir do próximo dia 1 de Fevereiro.O anúncio feito pelo presidente da câmara do Fundão em entrevista à jornalista Paula Charro "irei apresentar a suspensão na próxima quinta-feira e cessarei funções a partir do dia 1 de Fevereiro, e faço-o porque entendo que é o melhor para o Fundão, para as nossas populações e para a nossa terra".O autarca fundanense explica os motivos que o levam a apresentar a suspensão e não a renúncia ao mandato "nunca renunciarei a esta qualidade, vou perdê-la ao fim de um ano, que é o prazo máximo que a lei permite de suspensão de mandato, mas não renunciarei a uma qualidade que é um bem inestimável e uma prova de gratidão da população".
Manuel Frexes deixa a câmara do Fundão, ao fim de 10 anos a gerir os destinos do concelho, para assumir as funções de membro do conselho de administração da empresa Águas de Portugal. Uma nomeação que gerou muita polémica à escala local, regional e nacional. O autarca lamenta a forma como decorreu todo o processso "foi um processo tão malicioso e que tentou de tal forma vexar e enxovalhar as pessoas que se entregaram à causa pública e se dedicaram à nossa terra". O autarca lamenta ainda não ter tido oportunidade de explicar o que estava em causa num processo que, desabafa "ultrapassou-me".
Manuel Frexes suspende o mandato na próxima quinta-feira e deixa a presidência da câmara municipal do Fundão a partir do primeiro dia de Fevereiro. Um cargo que passará a ser ocupado pelo actual vice presidente Paulo Fernandes.
Não há fumo sem fogo. Apesar de há apenas duas semanas Manuel Frexes ter considerado "abusivas" as informações que davam conta de que ia abandonar a presidência da Câmara do Fundão para fazer parte da administração da Águas de Portugal, o rumor confirma-se.Na última assembleia municipal Frexes desmentia: “Tenho um mandato para cumprir, não tenho qualquer saída agendada”. Ontem o ministério da tutela confirmou ao jornal Público a nomeação.
Paulo Fernandes, vice na câmara, que recentemente se filiou no PSD, passa a ser o novo presidente da Câmara do Fundão, assim que Manuel Frexes começar a desempenhar as novas funções.
Manuel Frexes está a cumprir o terceiro e último mandato consecutivo, sempre com o então independente Paulo Fernandes no executivo. Completa hoje dez anos à frente do município fundanense e deixa a Câmara do Fundão a menos de dois anos do final do mandato.
O arguido de Alcongosta que estava a ser julgado no Tribunal do Fundão, num processo que ganhou mediatismo por ser o primeiro na região em que estão envolvidos correios de droga, foi condenado a três anos de prisão, mas com pena suspensa. Dos nove réus, cinco vão cumprir pena efectiva de prisão.
Ver notícia RCB.
Tribunal do Fundão condenou esta manhã os 9 arguidos julgados no âmbito de um processo de tráfico de estupefacientes em que pela primeira vez, na Cova da Beira, foi utilizado o método dos correios de droga em viagens à América do Sul de onde traziam cocaína. Dos nove arguidos, a maioria da região, cinco foram condenados a pena de prisão efectiva.É o caso de António Lopes. O agricultor de Alpedrinha foi condenado a uma pena única de sete anos e seis meses de prisão. Um cúmulo jurídico que resulta dos crimes de tráfico de droga, sequestro, coacção e detenção de arma proibida.Artur Mendes, Alice Barros e Jesus Guerrero foram condenados pelo crime de tráfico de estupefacientes na forma continuada a sete anos de prisão efectiva no caso do serralheiro natural de Mora, cinco anos e seis meses o caso de Alice Barros, residente em Castelo Branco, e seis anos e seis meses de prisão para o talhante natural de Valverde del Fresno.
Eduardo Lopes, que se encontra a cumprir pena em Espanha no âmbito de um outro processo, foi também condenado a cinco anos e dois meses de prisão efectiva pela prática de um crime de tráfico de estupefacientes.
Aos restantes arguidos o tribunal decidiu suspender a pena. É o caso de António Brito, o fruticultor de Alcongosta, condenado a três anos de prisão pelo crime de tráfico de menor gravidade e os três correios da droga que foram condenados pelo crime de tráfico de estupefacientes: quatro anos e cinco meses de prisão para Márcia Viana, de Castelo Branco e Rafael Duarte, natural do Paúl, e quatro anos e 11 meses de prisão para Carla Cruz, natural de Donas.
No caso da jovem das Donas o juiz que presidiu ao colectivo disse que “esteve tremida” a decisão entre a prisão efectiva e a pena suspensa porque a história que foi contar a tribunal “não cabe na cabeça de ninguém”. Recorde-se que Carla disse ao tribunal que desconhecia os objectivos da viagem à Argentina pensando que era uma espécie de “lua de mel”. Segundo o juiz, o mínimo que Carla deveria ter feito era assumir. José Avelino recorda que tribunais superiores têm entendido que deve haver “mão pesada” para os correios da droga como forma de dissuadir outros.
Para suspender a pena aos arguidos Márcia, Rafael, Carla e António Brito, o tribunal impôs um conjunto de condições: têm que inscrever-se no centro de emprego, procurar trabalho e dar conhecimento da sua situação laboral todos os meses ao tribunal, só poderão deslocar-se ao estrangeiro com autorização do tribunal, ficam proibidos de frequentar casas de diversão nocturnas, incluindo cafés e bares a partir das 23 horas durante um ano, e no prazo de quatro meses terão que entregar, cada um, a quantia de 500 euros aos bombeiros voluntários do Fundão.
RCB - Paula Brito
É já hoje o espectáculo que dá a conhecer os temas do novo projecto de José Fontão e Carlos Branco: DesConcerto do Mundo, em parceria com professores da Academia de Música e Dança do Fundão, que com o concerto desta noite marca o arranque das comemorações dos seus 15 anos.O espectáculo está marcado para as 21h30, na Moagem. E porque os bilhetes para esta primeira apresentação esgotaram, há novo concerto amanhã, também às 21h30, igualmente na Moagem.
O Ti Zé da Encarnação esteve sábado numa loja em Lisboa a trabalhar ao vivo e o jornal i foi conhecer o artesão de Alcongosta.
Não será o último esparteiro, uma vez que de um curso ministrado há poucos anos pelo próprio saíram duas ou três pessoas que deram seguimento ao que aprenderam e até fazem peças para venda, mas é certamente o mais conversador e o que pode falar com maior propriedade desta arte que em tempos era a base do sustento de largas dezenas de famílias na Terra da Cereja.
Zé da Encarnação: O último esparteiro do país
Tem 88 anos e vive no Fundão, na Beira Baixa. Desde miúdo que transforma esparto, as ervas altas e fortes, em seiras, indispensáveis, em tempo, à produção do azeite. Hoje corre o país em feiras de artesanato a mostrar a sua arte“Senhor?” José da Encarnação, o último esparteiro do país, repete esta expressão várias vezes durante a conversa. Os ouvidos já não são o que eram depois de 88 anos de vida habituados à pronúncia da serra da Gardunha.
Antes de nos adiantarmos mais, o melhor é dar-lhe já algumas explicações técnicas, para que o leitor perceba do que falamos. O esparto é uma erva forte que se encontra um pouco por todo o país, nas serras, mas principalmente na serra da Gardunha, na Beira Baixa, onde Zé da Encarnação ainda hoje se abastece. “E também é bom para palitar os dentes”, e faz uma demonstração sorridente da qualidade da erva.
O esparteiro é um artesão que trabalha esta erva, a apanha e seca, transformando-a depois em artesanato.
Chegamos finalmente à seira, um objecto redondo, onde antigamente se fazia o azeite, ocupação de Zé da Encarnação até à chegada das máquinas que tomaram conta do azeite nos lagares. A partir daí tornou-se comerciante de fruta e depois motorista.
Fomos encontrar este artesão em Lisboa, no sábado, na loja Zazou Bazar & Café, a fazer uma demonstração da sua arte. Zé da Encarnação transforma esparto em seiras, ofício que aprendeu era ainda um catraio acabado de sair da quarta classe: “Antigamente era assim, aprendíamos a arte com os pais. Não é como agora, que os miúdos têm de ir para o colégio e não aprendem arte com os pais”, explica, enquanto das suas mãos nasce um tapete de esparto a cheirar a campo enquanto o diabo esfrega o olho.
Zé da Encarnação é falador e bem-disposto. Gosta de contar a vida toda e de improvisar rimas a propósito de tudo.
Se lhe perguntam quanto tempo demora a fazer uma seira, responde muito depressa: “Depende da habilidade, se tiver a dormir demora mais tempo”, e ri- -se muito. Lá lhe conseguimos arrancar um “dois dias, vá”, com uma explicação mais apurada: “Dantes os dias tinham mais horas, porque tinha de enviar isto para o lagar o mais rápido possível. Trabalhava todo o dia e toda a noite se fosse preciso.”
O amor pela sua arte voltou a chamá-lo na reforma e hoje corre o país em feiras de artesanato: “Gosto do convívio com as pessoas. Às vezes seca-me as palavras de tanto falar.” Só disse que não a uma: “Convidaram--me para ir à FIL, dez dias. Sabe quanto é que me pagavam? Setenta euros. Disse-lhes que não.”
Depois do Natal já tem outra feira planeada: “Como as filhós, em casa, e depois vou para Seia.”
Em jeito de despedida, porque se faz tarde e tem de voltar ao Fundão, onde vive, larga mais uma rima e uma lição: “É preciso é comer e ver e fazer para o ter. Quem tem saúde e liberdade é rico e não o sabe.”
Ex-SCUT - Mas afinal são viagens ou passagens em pórticos?
in Blog do Katano

Hoje, quando for meia-noite em ponto, tem início mais uma Arruada da Restauração em frente à Câmara do Fundão.O momento que celebra o fim de 60 anos de domínio filipino em Portugal, em 1640, é vivido ao som de uma filarmónica que toca o Hino da Restauração. A iniciativa é conhecida por encorrer os espanhóis.
Aí está a cobrança electrónica de portagens na A23. O diploma, promulgado por Cavaco Silva a 16 de Novembro, foi hoje publicado em Diário da República. Dentro de poucos dias, o Interior passará a viver com mais este peso que lhe agrilhoará a esperança de algum desenvolvimento.O fim das scut está previsto para 8 de Dezembro.
O documento pode ser consultado através desta ligação para o Diário da República.
Os particulares e empresas que provarem periodicamente terem aqui residência fixa beneficiam, vejam só a generosidade, de uma isenção da passagem em 10 pórticos, após as quais se tem um desconto de 15 %. A medida é ainda mais penalizadora que a proposta apresentada pelo anterior governo, que contemplava a isenção de 1o viagens ao longo de toda a via e depois os tais descontos. É caso para perguntar onde raio está a isenção, se percebermos que numa única deslocação pela A23 passamos por mais de dez pórticos.
Diz o diploma que os princípios da universalidade e do utilizador-pagador garantem uma maior equidade e justiça social. Será que vão então aplicar o mesmo princípio no Metro de Lisboa? Na Transtejo? Na Carris? Em todos aqueles sorvedouros de dinheiros públicos de que os pacóvios aqui da "província" não usufruem? Pelos vistos, a solidariedade funciona apenas num sentido. E curiosamente os ostracizados acabam sempre por ser os mesmos.

Continua em cena até ao próximo domingo, na Moagem , a peça "Volfrâmio", encenada pela Estação Teatral da Beira Interior.
"A vida tão próxima da morte. O mundo rural em confronto com a mais desenfreada industrialização. A camaradagem. As greves. As revoltas. A saúde e a doença. A sorte. As opressões, muitas. A fé. Os consentimentos. Os medos. O mercado negro. As mentiras. Os sonhos. O sentir de uma cultura mineira. As mulheres. A serra. A serra que tudo dá e que tudo tira".
Até sábado as sessões são às 21h30. No último dia, domingo, é Às 16h00. O bilhete custa 5 euros, com desconto para estudantes.
Recuando ao início da década de 90 o torneio de futebol de salão de Alcongosta, por altura da Primavera, era incontornável e as finais épicas. Este é um desses momentos. A equipa da casa no dia do derradeiro jogo, com imensa gente empoleirada no muro do Meias (ainda em pedra) para assistir à partida.A equipa eram: Quim João, Duarte, Vítor Henriques, Luís, Alberto, Escaleira, Tó Chambel, Vítor Lino e César.
Depois do golpe profundo sofrido com a emigração e migração da década de 60, que se continuou a verificar ao longo dos anos, embora de forma menos acentuada, a sangria da nossa freguesia prossegue como uma locomotiva sem freio. De acordo com os dados preliminares dos Censos, nos últimos dez anos Alcongosta perdeu mais de cem habitantes. De 573 em 2001, tem actualmente 468 residentes. Uma redução substancial, superior a 20 % da população.O cenário generaliza-se um pouco por todo o Interior do território nacional, mas isso não nos deve impedir de reflectir sobre as causas de tal êxodo no nosso pequeno microcosmos e questionarmo-nos se fizemos o que estava ao nosso alcance para inverter a situação, se fomos além da lamúria e procurámos soluções alternativas para os problemas, se usámos a criatividade e esforço para subirmos mais um degrau na escalada do desenvolvimento, se nos sentámos porque as verbas para investimento não nos caíram no colo em vez de sermos pró-activos e irmos à procura de outras fontes, se pugnámos por criar condições de atractividade para contrariar este caudal dos que partem, se o bem estar colectivo é uma prioridade.
Os factores extrínsecos acabam por manietar algumas vontades, mas mesmo em condições adversas, querendo, é possível fazer a diferença, por mais pequena que seja. Ajuda não encarar como uma fatalidade cada decisão que nos impingem, sem questionar, sem negociar contrapartidas, olhando apenas para os factores economicistas, sem perceber que por cada serviço que encerra, por cada escola que fecha, o futuro da terra fica com o horizonte cada vez mais longínquo.
Dos muitos que saem para prosseguir estudos, contam-se pelos dedos das mãos os que voltaram. Quem casa sai e vai morar para o Fundão. Quem é de cá prefere resignar-se com a qualidade a que o ensino chegou, com uns quantos alunos todos na mesma sala, e em vez de reivindicar outras condições, questionar métodos pedagógicos de professores eventualmente desmotivados, antes levam os filhos para outras paragens.
Socialmente, poucas são as iniciativas desenvolvidas em prol da comunidade quer pelos seus representantes quer por nós, individualmente, porque não há aqui essa cultura do contributo para o bem comum. Temos uma Liga dos Amigos inactiva, um Clube que há muito deixou de ser um espaço agremiador. Felizmente há um centro de dia para dar alguma resposta à população cada vez mais envelhecida, mas não se ouve falar em actividades que estimulem o seu convívio. Os nossos seniores, ao contrário dos de outros sítios, não têm um bailarico, não vão assistir ao programa-pastilha do gordo da televisão.
Somos a terra da cereja, da fruta, o sector que ainda vai criando emprego. Em boa hora houve a sensatez de transferir a Festa da Cereja para o seu berço, fazer as pessoas envolverem-se e dar-lhe projecção. Só que não é isso que cria postos de trabalho ou vai fixar pessoas. Desmontado o arraial, o folclore só regressa no ano seguinte, quando mais uns quantos habitantes já deixaram de o ser.
Poderíamos olhar para o nosso meio empresarial, não fosse ele inexistente, agricultura à parte. Esgota-se nos cafés, numa serralharia e num negócio de transformação de fruta. Não se consegue captar investimento externo e quem é de cá também não o faz.
A culpa da sangria é de todos nós, que não nos dispomos a criar dinâmicas que valorizem a nossa aldeia. É minha, do meu vizinho, da generalidade dos meus conterrâneos, dos que ficaram e dos que partiram. E é também de quem foi eleito para defender os nossos interesses, para pôr em prática medidas que evitem a nossa menoridade.
Segundo a proposta em cima da mesa para a reforma da administração local, Alcongosta vai deixar de ser freguesia e terá de se fundir com uma povoação vizinha. À luz dos critérios apresentados, passíveis de discussão, Alcongosta não se enquadra nos parâmetros para continuar a ser freguesia por apenas 32 pessoas. As que faltam para atingir as 500 que uma área predominantemente rural num concelho com a tipologia do Fundão tem de ter.
Dada a tangente, essa é possivelmente uma questão contornável. A verificar-se, vislumbro um maior ostracismo, uma aceleração em direcção à desertificação galopante e ao esquecimento. E Alcongosta continuará com o futuro eternamente adiado.


Hoje à tarde, no Largo da Praça, Alcongosta assiste à habitual arrematação. Em cima da carroçaria de uma camioneta os festeiros leiloam os mais diversos produtos que lhes foram oferecidos ou compraram para o efeito.
Trata-se de um momento patusco, divertido, durante o qual tanto podem estar a ser licitadas umas banais garrafas, como umas originais cuecas, peças de louça ou uma galinha, borrego ou leitão, que insistem sempre na altura manifestar a sua veia irrequieta.
Para além de ser uma forma de ajudar quem todos os anos se empenha em fazer a festa, participar na arrematação é também a garantia de algumas gargalhadas e por vezes sinónimo de algumas oportunidades, conseguidas a preço de saldo.
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